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30 set.2021

O tratamento de doenças autoimunes com biossimilares

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O uso de biossimilares cresce, não só no Brasil, mas também em países de todo o mundo como uma alternativa para ampliar o acesso de pacientes a novas terapias e fármacos de alta tecnologia. Atualmente, no Brasil, existe um número de medicamentos biossimilares aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e que vêm sendo usados para o tratamento de doenças autoimunes como a artrite reumatoide, psoríase, espondilite anquilosante, esclerose múltipla, doença de Crohn, asma, lúpus eritematoso, entre outras.

Doenças autoimunes
Doenças autoimunes são decorrentes de alguma disfunção no sistema imunológico que leva o corpo a atacar a si mesmo. As doenças autoimunes são diversas e podem ocorrer nos diferentes sistemas do corpo humano: desde a pele, como vitiligo e psoríase, até o sistema neurológico, como a esclerose múltipla.

As causas para a manifestação das doenças autoimunes são consideradas multifatoriais, mas ocorrem com maior frequência devido a fatores genéticos, ou seja, herança genética. O tratamento, para cada tipo de doença, varia de acordo com o órgão ou sistema ao qual ela ataca, mas, de maneira geral, através do que chamamos de imunossupressão, ou seja, um enfraquecimento do sistema imunológico para que seu ataque contra o próprio organismo tenha menos impacto.

Estima-se que aproximadamente 3% da população mundial apresenta algum tipo de doença autoimune, com maior incidência nos países desenvolvidos, sendo as mulheres as mais afetadas.  Em geral, as doenças autoimunes são diagnosticadas tardiamente pois os sintomas muitas vezes são indetectáveis e não há teste diagnóstico definitivo para as doenças autoimunes. No Brasil, as doenças autoimunes são subnotificadas devido a escassez de dados epidemiológicos oficiais, isso ocorre devido a inexistência de política específica de atenção a esse grupo de pacientes.

Terapias com anticorpos monoclonais
A indústria farmacêutica, recentemente, tem dado passos importantes para que pacientes tenham maior acesso a medicamentos biológicos para o tratamento do câncer e de doenças autoimunes, através do desenvolvimento dos biossimilares.

O desenvolvimento dos anticorpos monoclonais tem oferecido novas esperanças para o tratamento de várias doenças. A habilidade dos anticorpos monoclonais de ligar-se a uma estrutura química pré-determinada estimulou o desenvolvimento desses novos medicamentos.

A imunidade do corpo humano é uma consequência da ação de diferentes células e órgãos que compõem todo um sistema de proteção e defesa do organismo. Os principais responsáveis por essa defesa são os glóbulos brancos, ou linfócitos, que, como o linfócito B, por exemplo, produzem anticorpos.

Os anticorpos provenientes dos linfócitos B são produzidos naturalmente pelo nosso corpo e são chamados policlonais, porque são criados a partir de vários (poli) clones (clonais) de linfócitos. Eles combatem de maneira muito específica e programada as substâncias estranhas ao nosso corpo. Já os anticorpos comercializados como medicamentos são chamados de anticorpos monoclonais, porque são derivados de um único clone de linfócitos, que são expandidos e produzem um único tipo de anticorpo, dirigido a um único alvo.

Os anticorpos monoclonais, são classificados como terapia alvo, pois possuem alta especificidade com poucos efeitos colaterais. Podem ser utilizados na sua forma intacta ou ligados a outras moléculas, por exemplo, átomos radioativos e até medicamentos, com o objetivo de destruir uma célula alvo. Alguns anticorpos monoclonais estão sendo introduzidos na medicina para provocar supressão do sistema imune e para destruir ou inibir células malignas. Atualmente, há o desenvolvimento de anticorpos monoclonais com a capacidade de atingirem com dois ou mais alvos moleculares simultaneamente, aumentando assim o seu potencial terapêutico.

Referências bibliográficas

DOS SANTOS, R.V. et al. Aplicações terapêuticas dos anticorpos monoclonais. Rev. bras. alerg. imunopatol, p. 77, 2002.

BARBOSA, M.G.A. et al. Prevalência de casos de doenças autoimunes e imunodeficiências primárias registradas em hospitais no Agreste de Pernambuco. Research, Society and Development, v. 10, n. 2, p. e50410212681-e50410212681, 2021.

SHEPARD, H. M. et al. Developments in therapy with monoclonal antibodies and related proteins. Clinical medicine (London, England), 17(3), 220–232. https://doi.org/10.7861/clinmedicine.17-3-220, 2017.

COSTA, A.L.P. et al. Fatores associados à etiologia e patogênese das doenças autoimunes. Arquivos Catarinenses de Medicina, v. 48, n. 2, p. 92-106, 2019.

 

Setembro/2021

 

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